Pé Diabético: Abordagem Preventiva
SCHARF, Deise A.
O Diabetes mellitus (DM) - ou simplesmente o diabetes - é uma das doenças endócrinas mais comuns e atinge qualquer faixa etária, independentemente do nível socioeconômico.De acordo com o autor Carvalho (2003). A neuropatia diabética, apresenta manifestações clínicas que incluem alterações do sistema autônomo, alterações motoras e sensoriais, têm levado a altos índices de amputações sendo que o controle rigoroso dos níveis de glicose no sangue é a principal estratégia para a prevenção das complicações da doença. O descontrole é a principal causa das complicações do diabetes, que incluem a neuropatia, a arteriopatia e a infecção. Portanto, os diabéticos que não controlam sua glicemia adequadamente terão os problemas das extremidades, especialmente dos pés. A freqüência é tão grande que se cunhou o termo de "Pé Diabético". “Pé diabético” é a infecção, ulceração e/ou destruição de tecidos profundos associados com anormalidades neurológicas e vários graus de doença vascular periférica de membro inferior ( PITTA e COLS, 2003).
Sintomas que caracterizam o “pé diabético”;
• Dores urentes (em queimação ou laceração), • Sinais parestésicos: formigamento, dormência, choques e câimbras, em geral noturnas.
Sinais indicativos de “pé diabético”
• Alterações distróficas (pele: manchas hipo/hipercrômicas); • Ressecamento – unhas: hipertrofiadas, irregulares, manchadas); • Áreas de hiperpressão: calosidade; hipo/hipertemia; presença de lesões: ulceras, fissuras; • Sinais indicativos de trauma (rubor, calor, bolhas, edema); • Micose interdigital; • Deformidades ósseas
Medidas preventivas para o pé diabético
• Controle rigoroso dos níveis de glicose no sangue é a principal estratégia. • Orientações aos pacientes e familiares a fim de se prevenir possíveis complicações, tais como, ulceração, infecção e amputação. • Algumas recomendações: • A limpeza deve ser diária, com água em temperatura ambiente e sabonete neutro, enxugar bem, sobretudo entre os dedos; • O corte das unhas deve ser reto, acima do limite da unha; • Calos devem ser lixados com lixas, jamais cortados. • Inspeção diária: pela manhã e pela noite e após retirar sapatos: verificar se existem áreas de vermelhidão, hematomas, lesões, bolhas, áreas de hipertemia, micose interdigital; • Calçados devem ser inspecionados antes de serem calçados, em busca de objetos estranhos; • Lubrificação: com óleo neutro, passar uma leve camada, exceto entre os dedos; • Meias: de algodão, sem elástico. Devem ser trocadas e lavadas diariamente; • Cuidar com água muito quente. Verificar a temperatura com as mãos; • Não caminhar descalço e não usar chinelo de dedo; • Exercitar os pés (dedos e tornozelo) e Usar calçados e palmilhas apropriados.
Relação do pé diabético e amputações de membros inferiores.
A complicação em pé é uma das mais sérias e onerosas complicações do diabetes mellitus. A amputação em membro inferior é usualmente precedida de úlcera em 85% dos casos. A estratégia que inclui prevenção, educação a pacientes e profissionais, tratamento multidisciplinar da ulcera do pé e monitorização, pode reduzir a taxa de amputação de 49 a 85% (PITTA E COLS, 2003).
Referências:
Carvalho, A. J. Amputações de Membros Inferiores: Em Busca da Plena Reabilitação. 2ed. São Paulo: Manole, 2003.
Gonçalves, E. R. e cols. Complicações Crônicas dos Diabetes. Belo Horizonte: Health, 1996.
Pitta, G.B.B., Castro, A. A., Burihan, E. Angiologia e Cirurgia Vascular: Guia Ilustrado. Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA, 2003.
Salgado, L. R. Diabetes. São Paulo: Contexto, 1998.
Silva, C. A., Grando, J.C. Diabetes Mellitus: Fatores de Risco, Complicações Cardiovasculares e Atividade Física. Blumenau: Edifurb, 2004.
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