Ídolo do Inter dos anos 70 começa fase de adaptação à prótese para corrigir a amputação sofrida em abril
Em abril, o ex-jogador Escurinho, ídolo do Inter dos anos 70, sofreu amputação da perna direita. Sete meses depois, aos 59 anos ele deflagra a maior reação de sua vida e dá início a um tratamento para colocação de prótese. Quer voltar a caminhar de qualquer jeito.

O corte de parte da perna, do joelho para baixo, foi causada por complicações com o diabetes. A doença ele mantém há anos associada a uma insuficiência renal, que o obriga a fazer três cansativas sessões de hemodiálise por semana.
Há dois meses, porém, Escurinho iniciou os exercícios de adaptação a uma prótese, ainda provisória. Desde então, só tem avançado no tratamento ortopédico e conseguiu assim reverter o atrofiamento dos músculos.
Com os exercícios, Escurinho já se sente com alguma segurança para se movimentar, ainda que seja somente durante o período em que passa caminhando na clínica.
– Me sinto um novo atleta. Estou recuperando a dignidade – disse o ídolo colorado.
Nos últimos dois meses, duas vezes por semana, Escurinho tem se deslocado de Guaíba para se submeter a exercícios na Ortopédica Catarinense, no bairro Jardim Botânico, em Porto Alegre.
Neste período, já realizou caminhadas com a ajuda de barras paralelas e hoje se mantém de pé com o aparelho andador. Caminhando 50 minutos por sessão, Escurinho retomou o domínio sobre o corpo e se prepara para uma próxima fase, agora usando muletas canadenses.
Não há previsão de quando voltará a caminhar sozinho. Mas o ortopedista Vinícius Saramento, da Catarinense, que lhe franqueou o tratamento, acredita que o ex-jogador poderá caminhar nos próximos meses:
– A julgar pela sua disposição, a recuperação total é apenas uma questão de tempo – diz Saramento.
Há outros desafios sendo vencidos por Escurinho. Há três semanas, ele acertou com o Inter a venda de uma edição de sua camiseta retrô, com o número 14 às costas tal como ocorria quando ele entrava ao final dos jogos e decidia a partida com gols de cabeça a favor do time do Inter.
A camiseta, afinal, é uma forma de utilizar a marca Escurinho para garantir renda ao ídolo. Além da dele, a camiseta número 9 de Claudiomiro também está chegando ao mercado.

Durante o período de 1970 e 1977, Escurinho colocou sete faixas de campeão gaúcho e participou das campanhas do bicampeonato Brasileiro em 1975 e 1976.
Em sete anos de Inter (em 1971 praticamente jogou apenas pelo Gaúcho, de Passo Fundo, e o Farroupilha, de Pelotas), o meia-direita marcou mais de 300 gols. Mais da metade deles de cabeça. E olhos abertos.