A hora de Salvar a Própria Vida

   No dia 27 de outubro de 2004, voltava do trabalho dirigindo uma motocicleta quando um caminhão se atravessou na minha frente. Tentei desviar, mas bati com a perna no pára-choque traseiro do veículo. Cai no chão, mas na hora não senti dor. Quando levantei e fui dar o primeiro passo é que notei que tinha apenas uma perna. A outra estava jogada no chão, a alguns metros de distância. A gente só sente dor depois que o cérebro assimila o que aconteceu. Aí é terrível. Um homem parou para me ajudar, mas não sabia o que fazer.

  Como sou socorrista, me dei conta de que estava correndo sério risco de vida. Pedi, então, o cinto dele, e amarramos bem forte na minha coxa, a fim de estancar o sangue. Do meu celular telefonei para meus colegas socorristas, que fizeram o resgate e me levaram para Curitiba. A dor era tão forte que pedi para ser sedado. Eu senti na própria pele o que acontece com as pessoas que estou acostumado a salvar. Quero voltar em breve ao trabalho. Essa é a minha missão por aqui."

 

 

 

Luiz Carlos de Almeida, 45 anos, morador de Curitiba (PR)

 

Fonte: Diário Catarinense, 26 de novembro de 2006 – edição 7533 – Reportagem Viviane Bevilacqua

 

 

 
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