“Prótese já foi perna de Pau”

   Meu acidente aconteceu dia 24 de maio de 1954. Portanto, há 52 anos. Eu estava ajudando um tio a transportar uma mudança de caminhão, de Foz do Iguaçu para Santa Helena (no Paraná). Precisávamos subir um barranco muito íngreme, e, como o caminhão atolou, descemos para ajudar a empurrar, mas o caminhão veio para trás e esmagou a minha perna.

   Assisti a tudo. Como estávamos no interior do interior, só fui receber atendimento adequado em um hospital 15 horas depois do acidente. E aí já não havia mais o que fazer. A única solução seria amputar minha perna.

  Naquele tempo as próteses eram bem diferentes. A minha era de madeira, dura, pesada e o encaixe na perna era feito com uma capa de couro e cadarço. Eles colocavam a perna na gente e mandavam para casa, sem qualquer tipo de acompanhamento.

  Graças a Deus, eu sempre tive uma saúde de ferro, e consegui viver muito bem com as próteses até hoje. Agora uso uma de titânio com revestimento de silicone, que é uma prótese excelente. Sempre tive uma vida normal, trabalhei até me aposentar no meu escritório de contabilidade. Somos 12 irmãos, e todos me admiram.

Tenho realmente uma excelente qualidade de vida, ao lado de minha mulher, meus filhos e minhas netas. O que me ajudou muito, também, foi a prática da meditação, ioga, cuidados na alimentação e exercícios físicos."

Raulino Bogo, 73 anos, de São Lourenço do Oeste (PR)

Fonte: Diário Catarinense, 26 de novembro de 2006 – edição 7533 – Reportagem Viviane Bevilacqua

 

 

 
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