"Foi ali que a minha vida começou a mudar"

    Meu nome é Marlene Procópio de Miranda tenho 30 anos sou casada e tenho um filho, sou de Mirim Doce, mas nascida em Rio do Sul, atualmente moro em Blumenau vim para Blumenau no ano de 1999 em busca de uma melhor, pois venho de uma cidadezinha muito pequena com pouca oportunidade de emprego.
Vim para cá cheia de esperança de que nossas vidas iam mudar logo que chegamos já conseguimos trabalho e as coisas estavam indo muito bem, até que no dia 27 de janeiro de 2002, tudo mudou, uma fatalidade mudou minha vida, neste dia eu, meu marido e meu filho que na época tinha somente 5 anos, estávamos saindo da casa da minha tia num sábado, nós estávamos voltando para casa de moto quando um carro em alta velocidade invadiu nossa pista, com a graça de Deus meu marido percebendo que o carro estava fazendo zig-zag na pista conseguiu tirar a frente da moto evitando que o carro pegasse nós três de frente, mas infelizmente o carro bateu em mim arrancando uma parte da minha perna esquerda e me derrubando da moto, foi um trauma muito grande para toda a família principalmente para mim que estava naquela situação, a dor era horrível e não dormia e quase não comia foi muito difícil.
    Fiquei uma semana hospitalizada e num desses dias recebi a visita da dona Rose e do Charles, pessoas da Ortopédica Catarinense falando e demonstrando de que a vida não tinha acabado pra mim. Charles o rapaz usuário de prótese que trabalha na ortopédica, me mostrou como ele leva sua vida normal, eles me deram um novo ânimo e entusiasmo para continuar vivendo.
    Mas vem ai um grande problema que era a falta de dinheiro para conseguir comprar a prótese, pois o valor era muito alto e eu não tinha condições de comprá-la, fiquei muito desanimada e muito triste, foi então que através da prefeitura de Mirim Doce de conhecidos de lá que me levaram para Florianópolis e me apresentaram ao então diretor daquela época da Associação Santa Catarina de Reabilitação que é uma Clínica do SUS, e lá voltaram as minhas esperanças de conseguir uma prótese, eles me falaram que em pouco tempo eu estaria andando com a prótese.
    Eu estava muito ansiosa não via a hora de começar a andar, eles me prometeram uma prótese modular bem leve etc, mas quando me chamaram para provar e começar o treinamento para aprender a andar com a prótese não era nada daquilo que haviam me prometido, pois vieram com uma prótese muito pesada quase toda de madeira, e eu que não entendia muito sobre prótese, vi que não era aquilo que haviam me prometido, me recusei na hora a andar e receber aquela coisa, falei que preferia ficar andando de muletas. Fiquei muito decepcionada por eles tentarem me enganar, então chamaram o diretor da clinica que inventou que não tinha peças para fazer uma prótese melhor para mim, então eu disse a ele que eu ia embora e não ia mais colocar aquela prótese, mas ele rapidamente conseguiu as peças para fazer uma outra prótese, e ai então no outro dia já comecei a andar com outra prótese a qualidade era um pouco melhor era mais leve mais machucava muito doía demais o meu coto e não tinha acompanhamento com fisioterapeuta, só o técnico que vinha e me dava algumas dicas como deveria andar e me deixava ali sozinha treinando, foi uma semana de sofrimento, depois eu vim para casa e tive que aprender a andar sozinha até soltar as muletas peguei vários vícios de marcha fora que o encaixe me machucava muito, cortava meu coto.
    Eu já deixando de usar aquela prótese quando recebi outra prótese agora pelo INSS que era toda feita pela Ortopédica Catarinense e foi ali que a minha vida começou a mudar, comecei tudo de novo a aprender a caminhar só que agora muito diferente, tive um longo acompanhamento com fisioterapeuta, com psicóloga e técnico responsável, desde então não sei mais o que é dor no coto, foi ums luta para perder os vícios de marcha que tinha pegado e ainda por conta disso não ando cem por cento, mas estou feliz com o novo resultado.
    E foi ali que eu descobri que mesmo usando uma prótese podemos fazer tudo que temos vontade de fazer sem restrições sem preconceitos minha vida mudou completamente depois que conheci a Ortopédica Catarinense pois foi lá que aprendia me aceitar e que a vida continua só que um pouquinho diferente. Hoje em dia eu saio por ai pego ônibus uso bermuda, saio não tenho mais vergonha de mostrar que eu uso uma prótese. 
    Tenho a agradecer isso a toda a equipe da Ortopédica Catarinense por nós mostrar o quando nós usuários de próteses somos normais mesmo sendo um pouquinho diferentes.

Marlene Procópio Miranda

 
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