Minha História - Marcio Donizetti de Souza

    Trabalhei sempre cortando chapas. Eram 3 bobinas de aço. Quando cortei a terceira cinta ela estourou e veio com efeito de uma bomba  pegando minha perna esquerda. Elas foram colocadas desalinhadas e eu não percebi. Caíram em minha perna 1860kg. Moeu tudo! Fiquei deitado com todo este peso em cima da minha perna e pensei... Minha vida acabou! O que vai ser de mim?
    Fiquei mais ou menos 5 minutos, que pareceu uma eternidade, até chegar alguém para levantar a bobina. O manobrista ainda apertou o botão errado e quase que a mesma bobina bateu na minha cabeça. Fui segurado pelos colegas de trabalho que se aglomeraram em torno de mim.
Fui levado ao hospital Azambuja, pela enfermeira e o técnico de segurança da empresa. O quadro era muito feio, minha perna estava totalmente esmagada. Quando o médico disse: sinto muito, temos que amputar! Fiquei desolado. As interrogações dentro de minha cabeça foram muitas. Será que vou andar novamente? Dirigir? Trabalhar? Ir à praia que gosto tanto? Fazer uma caminhada?Como  Sempre fiz na a beira-mar...
    Mas graças à orientação do médico, que disse: “tirando os pontos vá para a clínica fazer reabilitação porque a Ortopédica Catarinense faz um trabalho sério e podes confiar! Eu conheço o trabalho, não vá em fundos de quintal...” E realmente apareceram muitos. Confiei no profissional, procurei a Ortopédica Catarinense (Centro de Protetização Catarinense) e hoje estou realizado. Estou na clínica desde maio de 2009, terminando minha reabilitação e hoje totalmente habilitado. Consigo fazer tudo que temia não fazer. Pretendo voltar a trabalhar no mesmo lugar e tenho plena condição de exercer  o mesmo trabalho.

   Período da clínica – Em minha casa era só eu. Cheguei na clínica e via vários pacientes trabalhando. Ficava animado e via que eu não era o único. Havia mulheres, crianças, rapazes novos e pacientes até de oitenta e poucos anos... Saia muito animado.
Eu digo aos usuários que houvem dizer que a prótese tem que calejar para se acostumar. Isso não é verdade. Nunca tive um ferimento e aqui sempre me foi passado isso, que a prótese não pode machucar nunca. Quando isso ocorre é porque algo não está certo. Usei dois encaixes intermediários e agora estou terminando minha reabilitação.

Marcio Donizetti de Souza – 01/02/1956 – 54 anos
Profissão: metalúrgico

 
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